Nós damos tantas formas e significados ao amor não é mesmo? Dizemos que “amamos” nossos pais, que “amamos” nossos amigos, que “amamos” nosso computador, nosso vídeo-game e dizemos que “amamos” um garoto ou uma garota, isso até que a gente conheça outra pessoa e mudemos novamente o alvo do nosso “amor”.
Estou mentindo? Tenho certeza que não!
Tem sido cada vez mais freqüente nos envolvermos romanticamente com outros por atração física, ou por identificar alguns pontos em comum, decorrido algum tempo eis que vem a declaração “Eu te amo” e como se de uma hora pra outra o amor simplesmente acaba e cada um cuida da sua vida.
Será esse o verdadeiro amor? Será que compreendemos a complexidade do que seja o verdadeiro amor?
Tive o conhecimento esses dias de que o livro de Cânticos na Bíblia foi escrito originalmente em hebraico e que tem três palavras no mínimo, que correspondem ao nosso amor.
“Raya”
“Ahavá”
“Dod”
Em todos os versículos do livro de Cânticos é expresso algum sentimento como carinho, respeito, preocupação, desejo, todas estas palavras a fim de expressar um só sentimento, O Amor entre duas pessoas!
A visão de amor descrita nesse livro é de algo sublime. Algo tão lindo, tão precioso que merece todo cuidado. Vejam:
“Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém, pelas gazelas e cervas do campo, que não acordeis nem desperteis o amor até que este o queira” Ct. 2: 7
Interessante! Se pensarmos bem está claro que precisamos esperar, esperar pelo momento certo, a hora certa para nos envolvermos romanticamente com alguém, pois, amar não se trata de algo banal e nem se alimenta com um mero “eu te amo” vazio em si mesmo. Amar é algo tão difícil quanto complexo.
Voltemos para as três palavras que designam amor em hebraico.
O amor “Raya” é o amor de amigo, companheiro. A essência desse relacionamento é a confiança, companheirismo, o estar junto sem interesses secundários enfim, amizade.
O amor “Ahava” é o amor profundo. É quando seu coração e sua mente se voltam para seu amante com tal paixão e intensidade que não se pensa em mais nada.
“Arrebataste o meu amor com um só de seus olhares” Ct. 4: 9
“Ahava” é muito mais profundo do que sentimentos fugazes.
“As muitas águas não podem apagar o amor, nem os rios afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens de sua casa pelo amor seria de todo desprezado.” Ct 8: 7
“Ahava” é uma emoção que leva ao COMPROMISSO.
“Põe-me como selo sobre o teu coração.” Ct. 7: 6a
Em um vídeo de Rob Bell, através do qual me inspirei em escrever essa postagem, ele mesmo dá o testemunho de seu relacionamento com sua esposa, vejam:
“Eu e minha esposa fomos amigos por quatro anos. Quatro anos de “Raya”. Eu morava em Los Angeles e ela veio me visitar num final de semana. Nós saímos pela primeira vez. Havia um sentimento de expectativa no ar, devido a nossa curiosidade, tipo, será que havia ‘Ahava’ para complementar o nosso ‘Raya’? Lembro-me de estar sentado no restaurante e sentir a sensação de que eu preferia estar ali com ela naquele momento do que em qualquer outro lugar do universo”
Primeiramente eles tiveram uma sólida relação de amizade, onde puderam se conhecer, dividir situações, pensamentos e criar um rol de confiança. Só depois de ambos terem amadurecido sua relação de “Raya” é que deram espaço para um possível envolvimento romântico, no qual precisavam dessa confiança, que é um dos pontos chave para um firmar um compromisso sério.
O amor “Dod” é o elemento físico e sexual do relacionamento.
Acho que o motivo de tantos relacionamentos hoje em dia não darem certo, até mesmo entre nós cristãos, é que temos nos envolvido meramente por sentir alguma atração física, algum desejo. Mas, isso não leva a uma relação satisfatória visto que o que a atração um dia acaba. O que mantêm um relacionamento, o que o faz perdurar por toda sua vida é o amor “Raya”, “Ahava” em conjunto com o amor “Dod”. Isoladamente, nenhum deles produz o amor que Deus quer que experimentemos.
Deus nos deu “Dod” não para que saíssemos nos satisfazendo sexualmente sem nenhuma responsabilidade, Ele colocou o sexo como complemento do compromisso de duas pessoas. O ser “uma só carne” não fala somente do físico, afinal nós não somos somente corpo, mas alma e espírito. Como diz Rob Bell, “O amor é o encontro de duas almas dando tudo de si uma para a outra”, logo, o amor é algo espiritual.
Quando Deus diz “que sejam os dois uma só carne”, Ele não quer dizer “sejam uma só carne com cada pessoa que sentirem o desejo, saciem suas vontades de forma irresponsável, já que a vida é curta vamos aproveitar não é mesmo?” Essa é uma visão que o mundo tem. Não Deus.
O mundo dita que não devemos resistir a uma tentação porque podemos não ter uma segunda chance.
Será que nós também pensamos assim? É preciso rever nossos conceitos ou caminharemos para uma vida insatisfatória e vazia, pois ninguém vive de aparência, de atração física nem desejo porque todos estes se vão com o tempo. O que nos faz lembrar o que está no livro de Eclesiastes, “tudo é vaidade é correr atrás do vento”
E para ver o quanto tudo está interligado, um autor de quem eu gosto muito Joshua Harris, em seu livro “Eu disse Adeus ao namoro”, diz: “Ter intimidade sem compromisso é defraudar. Intimidade sem amizade é superficial. Um relacionamento baseado somente na atração física e nos sentimentos românticos apenas durará enquanto durarem os sentimentos”.
Ele também afirma que: “Devemos entender que todas as decepções do mundo advêm da crença de que o amor é basicamente para a realização e conforto de si mesmo. O mundo envenena o amor ao concentrar primeiramente na satisfação das necessidades da própria pessoa”.
Enfim, que possamos aprender durante esse tempo de solteiro, crescer espiritualmente e também como pessoa. Amadurecer. E o “Ahava” aparecerá da maneira mais sublime que alguém possa imaginar.
“Quando Deus souber que você está pronto para a responsabilidade do compromisso, Ele lhe revelará a pessoa certa sob a circunstância certa”. Joshua Harris
Graça e Paz, fiquem com Deus