sábado, 30 de maio de 2009

É domingo ...e colocam-se as máscaras!

Mais um domingo. A máscara está à espera, foi colocada.
Está na hora. A melhor roupa já está no corpo, e os olhos estão atentos, para “reparar” o decote da irmãzinha, o boné do irmão.
Com mãos levantadas se vê um mendigo na porta, ufa!, já o mandaram embora.
Palavras de entrega são vomitadas de bocas que nem sabem o que dizem.
Frases de “amor” fazem falsas promessas.
Um olhar discreto enxerga quem está sentado na hora do louvor.
Acabou (até que enfim!).
Pessoas se tocam como se tivessem abraçando-se, mas não há sinceridade nisso.
A fulana está de roupa nova, ganhou a atenção da noite.
Agora tudo está vazio, foram todos para casa.
A igreja já está escura e trancada, tudo o que há são cadeiras, instrumentos e púlpitos luxuosos.
A segunda feira chegou, junto com a preguiça e o mal-humor, a máscara já fora guardada.
O mundo não parou, ainda existe escola, trabalho e compromissos.
Não tem como ficar sem dinheiro nesse mundo capitalista! O dia todo no trabalho, sem nenhuma frase de bom dia para a simpática secretária.
Dentro do carro, no reflexo do vidro: moço dá um trocado?! Travam-se as portas.
O olhar fixo nas luzes do sinaleiro, e o outro olhar é de tristeza.
A noite está fria. Um cobertor e uma boa refeição completam o dia “tão difícil”.
Nas ruas, morte, fome, choro, gritos, abandono, indiferença.
Uma noite confortável com o aquecedor ligado, fecha com chave de ouro.
No dia seguinte, aula cedo, cadeiras confortáveis, os pés bem calçados retratam o nível social. Mundinhos fechados dentro de um mundo medíocre da minoria.
Bate o sinal. Na porta de saída uma criancinha suja, magra, negra. Não pede nada, mas grita por socorro no silêncio do olhar.
Pessoas passam e não fazem nada. Como?!
Vão para casa, almoçar. Passam o dia no MSN, com assuntos inúteis, “fuçando” ORKUTs para descobrirem mais fofocas.
Nas ruas, o tráfico, as sirenes da polícia.O sol já se pôs.
Cansados de ficarem em casa, saem para a noite na cidade.
Dão risadas, comem, se divertem.
Na hora de ir embora, algumas moedinhas para o jovem que “vigiou” o carro.
A semana prossegue.
No noticiário: terremotos, crianças lançadas de prédios, arrastadas por carros e jogadas em lagoas, corrupção na política, as FARCs atacam, o MST não tem terra, os etíopes não tem água tratada, o índio perdeu sua liberdade e seu lugar. Eles assistem, se sensibilizam, mas, logo depois, voltam a sua vidinha “normal” e prosseguem o jantar.
Os homossexuais lutam pela adoção de crianças.
Religiosos são contra, mas não capazes de adotá-las.
No fim de semana mais uma balada. Música, rolo e bebida.
Na esquina mais um aborto.
Nas ruas a desigualdade.
Nas igrejas as leis que nos condenam e as modinhas que nos envergonham.
Mais um domingo. A máscara já está à espera...
Qualquer semelhança é mera coincidência. Se a carapuça serviu...



by: Isabella Rezende